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ARTIGO: VOLUNTARIADO
 
Publicada em: 27/11/2017
 

ARTIGO: VOLUNTARIADO SOB A PERSPECTIVA DA SOCIOLOGIA

 

Gustavo Areias de Oliveira Melo

 Professor de matemática, servidor público, acadêmico de direito

 

 

 

O que é notadamente observado em todo desenvolvimento do trabalho do voluntariado é a necessidade do cuidado, sentida e praticada pela pessoa humana, como sendo uma necessidade complementar, às rotinas de trabalho e sustento, ou às rotinas de trabalho e dedicação, por obrigação social, seja em coletividade extra família ou familiar.

O desenvolvimento da prática voluntaria busca suprir a carência humana, essencial à percepção humana quanto a sua característica fundamental de cuidar.

A Sociedade contemporânea, chamada sociedade do conhecimento e da comunicação, está criando, contraditoriamente, cada vez mais incomunicação e solidão entre as pessoas. (...). Mitos antigos e pensadores contemporâneos dos mais profundos nos ensinam que a essência humana não se encontra tanto na inteligência, na liberdade ou criatividade, mas basicamente no cuidado.[1]

Em recente estudo realizado na Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança, definiu-se o voluntário como ator social e agente de transformação, que presta serviços não remunerados em benefício da comunidade; doando seu tempo e conhecimentos, realiza um trabalho gerado pela energia de seu impulso solidário, atendendo tanto às necessidades do próximo ou aos imperativos de uma causa, como às suas próprias motivações pessoais, sejam estas de caráter religioso, cultural, filosófico, político, emocional.

Ao analisar os motivos que mobilizam em direção ao trabalho voluntário, descobrem-se, entre outros, dois componentes fundamentais: o de cunho pessoal, a doação de tempo e esforço como resposta a uma inquietação interior que é levada à prática, e o social, a tomada de consciência dos problemas ao se enfrentar com a realidade, o que leva à luta por um ideal ou ao comprometimento com uma causa.Altruísmo e solidariedade são valores morais socialmente constituídos vistos como virtude do indivíduo. Do ponto de vista religioso acredita-se que a prática do bem salva a alma; numa perspectiva social e política, pressupõe-se que a prática de tais valores zelará pela manutenção da ordem social e pelo progresso do homem. A caridade (forte herança cultural e religiosa), reforçada pelo ideal, as crenças, os sistemas de valores, e o compromisso com determinadas causas são componentes vitais do engajamento. Não se deve esquecer, contudo, o potencial transformador que essas atitudes representam para o crescimento interior do próprio indivíduo.[2]

Do ponto de vista da socioantropologia, em relação à atividade do voluntário, parece-nos que tangencia a atitude do indivíduo humano em prestar-se à sociedade de modo a gerar benefícios, para si ou para o outro, não se tratando de complementação de um tempo ocioso, mas de tempo caro destinado a transformação de realidades por meio de uma iniciativa de doação, proporciona aprendizagem, que desenvolve vínculo afetivo e relação de trabalho com responsabilidade.

A ação do voluntário representa desse modo, uma prática de relações sociais e políticas, que se expressa no convívio com o antagônico, com a diversidade religiosa, de etnias e filosofias pessoais. É um trabalho que, no seu contexto geral, apresenta uma dinâmica interativa representada pelas relações, compromissos e responsabilidades individuais e coletivas advindas dessa atividade. Ser voluntário, ao lado da satisfação que esta atividade proporciona, inclui também as dificuldades aqui apresentadas, como partes do "pacote” da opção dos seus agentes, de desenvolver essa atividade no social. Constitui-se, deste modo, a ação voluntária, representante de uma forma ativa de participação social, um exercício de cidadania sem a cédula do voto. [3]

Os movimentos associados ao ato de vontade, de iniciativa voluntaria, aparenta elevar a pessoa ao estado de satisfação pessoal que sublima as indiferenças, purifica os estados de ânimo, acalenta as emoções e dignifica a pessoa. Estas características são relevantes ao estudo do comportamento social.

O ato de doação de si ao outro, ou às causas, pela simples doação a quem precisa ou à coisa que necessita, gera mudança de comportamento em si e ao destinatário, sejam pessoas ou organizações. Engrandece as relações humanas, fortalece a sociedade, humaniza e proporciona a comunhão.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Referências

 

BOFF, Leonardo; Saber Cuidar: Ética do Humano. Ed. Vozes, 10° edição, Rio de Janeiro, 1999. p.33

 

<http://www.voluntarios.com.br/oque_e_voluntariado.html>. Acesso em 12 de novembro de 2017

 

HENRIQUE, Michele C. Ser Voluntário: Algo Mais do que Ocupar o Tempo. Dissertação (Dissertação de Mestrado em Sociologia) - Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, p.84. 1995.



[1]BOFF, Leonardo; Saber Cuidar: Ética do Humano. Ed. Vozes, 10° edição, Rio de Janeiro, 1999. p.33

[2]<http://www.voluntarios.com.br/oque_e_voluntariado.html>. Acesso em 12 de novembro de 2017

[3]HENRIQUE, Michele C. Ser Voluntário: Algo Mais do que Ocupar o Tempo. Dissertação (Dissertação de Mestrado em Sociologia) - Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, p.84. 1995.