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ARTIGO:HANNAH,SOCIEDADE MODERNA
 
Publicada em: 02/01/2018
 

 ARTIGO: O PENSAMENTO DE HANNAH ARENDT NA SOCIEDADE ATUAL

Gustavo Areias de Oliveira Melo, professor de matemática, servidor público e acadêmico em direito / Jeferson Ramon de Lima Silva, acadêmico em direito

 

Tecendo uma avaliação prefacial, relativa aos trabalhos da filósofa Hannah Arendt, testemunhamos uma luta aguerrida em favor da dignidade da pessoa humana, de maneira ampla, corajosa, destemida frente às repercussões. Trata-se de um conjunto de ações desenvolvidos ao longo de anos, inspirando outros à reflexão e a acreditarem na construção de uma sociedade justa e digna do respeito à vida humana. Arendt sintetiza suas esperanças na ideia de que“a cada nascimento vem ao mundo algo singularmente novo. ”, a clareza das ideias, associada ao senso crítico nato da filósofa são os elementos apreciativos para o desenvolvimento intelectual da sociedade, os relatos de Hannah imortalizados na história são tomados sob base para o desenvolvimento desta obra. Embora os impactos do imperativo do mal se façam presentes na realidade social, como elemento de força dominadora, corrompendo os indivíduos e as relações sociais, amparamo-nos no pensamento de Hannah Arendt para a destituição da opressão e da violência na sociedade moderna.

 

A institucionalização da violência nas relações sociais como forma de controle aos indivíduos mais fracos é algo que está intrínseco na história do desenvolvimento humano, fato este relatado desde os primeiros escritos, realizados pelos povos Sumérios na Mesopotâmia. A utilização da força se perpetuou ao longo dos séculos por meio da institucionalização da vontade de alguns poucos sobre uma grande maioria. O poder desenvolvido pelo Estado representa bem este pensamento na atualidade, ao observar e refletir sobre a sociedade, deparamo-nos com um hábito comum as primeiras civilizações, utilizar-se da força como forma de controle das convicções humanas. Ato justificado como a única forma de extirpação do “mal”, neste caso o ato do pensar, limitando-o unicamente a alguns poucos.

 O processo de individualização humana ocorre de tal maneira que estes indivíduos retroalimentam suas necessidades, renegando suas relações com o mundo e se dispondo a cometerem as piores atrocidades em prol de saciar seu ego. As relações humanas passam a ser cerceadas, a maldade passa a nutrir o ódio, os indivíduos passam a ver o outro como pessoas banais, os pobres, os excluídos, os homossexuais, os índios, como indignos de respeito, gerando um colapso moral.

 

O neoliberalismo e suas perspectivas de aniquilação da intervenção do Estado, junto aos conflitos sociais, em amplo aspecto, termina por criar uma sociedade de interesses privados, egoístas, independentes, que só se movimentam em favor de interesses próprios, que segundo José Saramago, na emblemática obra “ Ensaio sobre a Cegueira”, evidencia de maneira didática, o comportamento individual de cegos, que antes da luz ofuscante, viviam em torno de si, em uma espécie de relação auto-suficiente.

Em tempos atuais, observamos estas práticas por parte de agentes do Estado que agem segundo seus pensamentos, suas convicções pessoais, exercitando o poder da força que o Estado lhes confere e “fazendo justiça” segundo seus critérios, neste caso, colocando à parte as leis e seus métodos, sob o argumento de que a impunidade leva a repetição dos delitos, sejam eles quais forem justificando o uso arbitrário das próprias razões, como necessário para extirpar o mal da sociedade.

O trabalho intelectual progressista de Hannah Arendt, contra as operações desenvolvidas na Alemanha nazista e ao cumprimento das tarefas de maneira desprovida de reflexão pelos agentes estatais, não afasta de acordo com a filósofa a responsabilidade destes da prática do mal. Contrária à inafastabilidade, a obra de Hannah, retrata os desmandos e a violência que ocorreram durante o nazismo alemão e o comunismo soviético, a denúncia contra os modos operantes dos agentes é retratado através da crítica à tirania.

 Seguindo esta reflexão, a filósofa mostra uma relação da banalidade e do desrespeito com a vida humana, uma verdadeira cegueira em relação às questões minimamente morais, tudo ocorre em nome da ordem e do respeito as hierarquias. A sociedade passa a ser minada pelo desrespeito e pela violência cometida por indivíduos acéfalos ou simplesmente desprovidos de racionalidade, subalternos a seres de ideologia e convicções desumanas, lideres máximo de um Estado anômico, um Estado repleto de genocidas atuantes e praticantes.

Vivemos em um estado de exclusões, a pobreza é predominantemente fator de repulsa, as religiões desagregam mais do que agrega, as visões são distorcidas e o respeito com a pessoa humana parecem desaparecer em meio a evolução cientifica, a pobreza intelectual e a facilidade de manobra de massas humanas fazem a sociedade convulsionar, de modo silencioso, corroborando assim, para o êxito da vontade de alguns poucos sobre uma grande maioria.

O trabalho intelectual, progressista, caracterizado pela grande crítica às operações, ao cumprimento das tarefas de maneira desprovida de reflexão, não afasta a responsabilidade da prática do mal, contrário a isso, denuncia a forma operacional com que os agentes do estado se comportam frente à vida humana em razão de sua classe social, sua etnia, sua raça, suas qualidades físicas, sejam homens, mulheres, crianças, idosos, doentes, não importa. A ordem é eliminar todos, “limpar a atmosfera dos impuros, preservando apenas os arianos, natos, puros, perfeitos”.

 Elemento de crítica, a obra cinematográfica “Tempos Modernos”, apresenta a sociedade, em tempos de revolução industrial, em que os operários da fábrica especializam-se em fazer repetições desenfreadas, sendo entendidos como peças de fácil substituição, enfrentam o trabalho de produção, com ritmo frenético, tornando-se, todos, elementos sem capacidade reflexiva, com tarefas a serem cumpridas repetitivamente, à exaustão, sob a supervisão de um chicote ou cacete de pancada, de modo a não pararem, manterem seus ritmos, “em produção”, sem possibilidade de erros, de modo a não haver problemas na cadeia produtiva, aqui Hannah Arendt explica o fascínio duradouro exercido pelo marxismo pelo esforço que teria movido Karl Marx e Friedrich Engels.

 

Quando nos deparamos com a realidade atual, em que os destaques envolvem graves violações dos direitos humanos, o ínfimo significado ou a falta de valor à vida humana, as atitudes discriminatórias, a violência por parte dos agentes públicos do Estado, os programas televisivos que oferecem aos lares violência disfarçada de notícia ou entretenimento, tramas imorais, intolerância religiosa, intolerância política, intolerância às diferenças de pensamento, nos remetemos à luta de Arendt.

 

 

Nosso objetivo é envolve o leitor de modo a induzi-losa reflexão humanista, convocando-os a ações contra as atitudes desumanas que pregam o preconceito, a discriminação, a exclusão social, de modo a respeitar a vida humana e as relações entre pessoas com as suas diferenças, sejam estas no âmbito religioso, fenotípico,do pensar, da sexualidade e de origens étnicas-sociais. Finalmente, entendermo-nos como raça humana, diferenciando-se uns dos outros pelo fato de sermos geneticamente únicos, porém dotados de mesma capacidade intelectual e de direitos, sendo injustificado a exclusão social por razões fenotípicas ou religiosas.


Possuímos as mesmas capacidades, os mesmos direitos, formamos uma única raça, é fundamental agregar valores que possibilitem dar manutenção a uma sociedade livre de preconceitos, uma sociedade justa, a qual agregue valores éticos e morais para todos de forma igualitária. Recursos financeiros, crenças religiosas, origens étnicas, devém ser visto como elementos de integração, troca de experiências e de saberes; integração a sociedade e incentivar a pratica do respeito com o próximo são soluções para o combate ao preconceito, a exclusão social e a violência.